Do desafio de acompanhar aulas em espanhol à conquista do diploma, formação aproximou a Chefe Elizangela do radioamadorismo e abriu novas possibilidades para levar comunicação, tecnologia e fraternidade mundial aos jovens do GESA.
Aprender algo completamente novo já representa um desafio. Fazer isso em outro idioma, conciliando estudos, família e as responsabilidades da vida cotidiana exige ainda mais dedicação. Foi essa experiência que a Chefe Elizangela Galera Alves Araújo, do Grupo de Escoteiro do Ar Santo Antônio (GESA), viveu ao participar da Primeira Capacitação Internacional para Aspirantes a Radioaficionados, promovida pelo Radio Scouting – WFIS América.
Realizada de forma on-line aos sábados de agosto de 2026, a capacitação reuniu participantes de diferentes países e apresentou conteúdos relacionados às telecomunicações, radioamadorismo e princípios da Lei Escoteira.
Para Elizangela, que ainda não possuía experiência prática com radioamadorismo, a jornada começou pela vontade de aprender e terminou não apenas com um diploma, mas com o desejo de continuar estudando e, futuramente, buscar sua habilitação oficial como radioamadora no Brasil.
“Quando queremos aprender, temos que superar e vencer os obstáculos e sair da zona de conforto.”
O primeiro contato com o Radio Scouting
Antes da capacitação, o conhecimento da Chefe Elizangela sobre radioamadorismo vinha principalmente das leituras que havia realizado sobre o assunto. Ela nunca havia participado de um curso específico na área e também não possuía experiência prática como radioamadora.
O interesse pela formação nasceu justamente da oportunidade de ampliar seus conhecimentos.
Segundo a chefe, chamaram sua atenção a possibilidade de compreender melhor como funcionam as ondas de rádio, estudar conceitos relacionados à eletricidade e às antenas, conhecer a comunicação por rádio e ter contato com pessoas de diferentes lugares.
A capacitação acabou proporcionando uma introdução bastante ampla a esse universo.
Sábados de agosto dedicados ao aprendizado
A formação aconteceu de maneira on-line, com encontros aos sábados durante o mês de agosto. A capacitação foi estruturada em oito módulos, sendo dois deles estudados a cada sábado, segundo Elizangela.
Os instrutores apresentavam os conteúdos em uma sala virtual, na qual os participantes podiam acompanhar as explicações, interagir e esclarecer dúvidas. O suporte também continuava pelo grupo de WhatsApp da capacitação.
Entre os assuntos estudados estavam fundamentos das comunicações, eletricidade, magnetismo, propagação das ondas eletromagnéticas, legislação, sistemas analógicos e digitais, procedimentos operacionais, ética, antenas e formas padronizadas de comunicação.
A linguagem utilizada pelos radioamadores também ganhou espaço, incluindo o alfabeto fonético internacional e o Código Q, empregados para tornar as comunicações mais claras, rápidas e precisas.
Elizangela destaca que a interação com os responsáveis pela formação foi positiva.
“A interação era rápida. Os instrutores não demoravam para nos responder e, até mesmo no grupo de alunos, todos ajudavam uns aos outros.”

Capacitação Internacional para Aspirantes a Radioamadores reuniu participantes por meio de encontros on-line promovidos pelo Radio Scouting – WFIS América.
Conciliação entre estudos e família
Participar de uma formação aos sábados também significou reorganizar compromissos pessoais.
Elizangela conta que conciliar a capacitação com sua rotina não foi simples. Em determinado encontro, por exemplo, decidiu abrir mão de um passeio noturno com a família para poder acompanhar a formação.
Por isso, ao falar da conquista, ela também reconhece o apoio recebido em casa e agradece especialmente ao esposo Antônio e às filhas Ana Laura e Bárbara, pela compreensão durante o período dedicado aos estudos.
A experiência reforçou para ela uma ideia que acompanha toda a sua narrativa sobre a capacitação: para aprender algo novo, algumas vezes é necessário enfrentar dificuldades, reorganizar prioridades e sair da zona de conforto.
O desafio de fazer uma capacitação internacional em espanhol
Se aprender radioamadorismo já era uma novidade, havia outro desafio importante: a capacitação era ministrada em espanhol.
Elizangela fala português e não dominava o idioma utilizado pelos instrutores. Nas primeiras aulas, acompanhar a pronúncia e o ritmo dos professores exigiu atenção redobrada.
Em vez de considerar o idioma uma razão para desistir, ela decidiu encará-lo como parte do próprio processo de aprendizagem.
“Foi um grande desafio inicial, pois o curso era ministrado em espanhol e minha língua nativa é o português. No entanto, encarei a situação como uma oportunidade de aprendizado e não permiti que a barreira linguística me fizesse desistir.”
Com o decorrer das aulas, a proximidade entre português e espanhol contribuiu para que ela compreendesse melhor as explicações e gradativamente se familiarizasse com o vocabulário.
Os termos técnicos exigiram dedicação adicional, embora muitos códigos e expressões utilizados no radioamadorismo sejam padronizados internacionalmente.
No final, aquilo que inicialmente parecia uma dificuldade tornou-se uma das partes mais marcantes da conquista.
“A barreira linguística exigiu um esforço duplo, mas superá-la tornou a conquista mais especial.”
Além do idioma, o caráter internacional proporcionou contato com participantes de outros países. Para Elizangela, essa troca cultural também trouxe uma percepção importante sobre o próprio Movimento Escoteiro.
“Conviver com escoteiros de outros países me mostrou que nossa Promessa é universal, expandindo meus horizontes e trazendo novas ideias de atividades e dinâmicas para aplicar no grupo.”
Ética, Código Q e uma “língua secreta” pelo rádio
Entre os diversos conteúdos estudados, Elizangela conta que se identificou especialmente com os temas relacionados à ética, aos procedimentos operacionais e ao Código Q.
A padronização das comunicações despertou sua curiosidade porque permite transmitir informações de maneira objetiva e reduzir interpretações equivocadas.
Ela também relacionou a ética no radioamadorismo à necessidade de respeito entre os operadores e de utilização responsável das frequências.
E o Código Q trouxe uma descoberta particularmente divertida.
Para quem nunca teve contato com o radioamadorismo, expressões como QSO, QSL, QTH, QRM e QRN podem parecer estranhas. Para Elizangela, conhecer esses códigos foi como descobrir uma nova linguagem.
“Achei fascinante, por parecer uma língua secreta que economiza tempo na comunicação.”
Entre os códigos que mais chamaram sua atenção estiveram aqueles relacionados às interferências durante uma comunicação, mostrando como os operadores conseguem identificar diferentes situações utilizando mensagens curtas e padronizadas.
Ondas eletromagnéticas: o conteúdo mais desafiador
Nem tudo foi simples durante a capacitação.
Elizangela aponta o módulo sobre ondas eletromagnéticas como um dos assuntos mais difíceis de compreender devido à complexidade e ao fato de representar um conhecimento novo para ela.
Mais uma vez, porém, a dificuldade acabou se transformando em parte da experiência.
Segundo a chefe, aprender um conteúdo inédito exigiu dedicação e a obrigou a sair novamente da zona de conforto.
Os exercícios e questionários realizados ao longo da formação foram importantes justamente para acompanhar essa evolução e identificar quais conteúdos precisavam ser reforçados.
30 questões e 30 pontos
O esforço dedicado às aulas começou a aparecer também nos resultados.
Em um dos questionários internacionais realizados durante a capacitação, Elizangela alcançou 30 pontos em 30 questões.
O resultado teve um significado especial.
“Fiquei muito feliz e realizada ao receber esse resultado com a pontuação máxima. Para mim, representou a coroação de todo o meu esforço, mostrando que as horas de dedicação e estudo realmente valeram a pena e que eu estava no caminho certo.”
Mas ainda havia a expectativa da avaliação final.
Elizangela conta que, apesar de todo o estudo, não conseguiu escapar daquele conhecido “friozinho na barriga”.
“Uma avaliação sempre traz preocupação, aquele friozinho na barriga e o coração acelerado. Afinal, significa colocar à prova todo o conhecimento adquirido ao longo do período.”
Além do conteúdo estudado, ela relata que aspectos como interação com os instrutores e colegas, participação nos módulos e atividades de simulação também fizeram parte da experiência formativa.
A tranquilidade definitiva só chegou com o certificado.
Um diploma para marcar a conquista
Em 5 de setembro de 2026, foi emitido o diploma de participação de Elizangela Galera Alves Araújo na Primeira Capacitação Internacional para Aspirantes a Radioaficionados.
O documento do Radio Scouting – WFIS América reconhece sua participação, interesse e compromisso com o aprendizado das telecomunicações, do radioamadorismo e dos princípios da Lei Escoteira.

Diploma recebido pela Chefe Elizangela Galera Alves Araújo após sua participação na Primeira Capacitação Internacional para Aspirantes a Radioamadores do Radio Scouting – WFIS América.
Para ela, receber o documento despertou diferentes sentimentos: alegria, gratidão, orgulho, alívio, sensação de dever cumprido e motivação para enfrentar novos desafios.
Mais do que um certificado, Elizangela enxerga a conquista como parte de sua própria formação enquanto adulta voluntária.
Segundo ela, o reconhecimento representa a validação de seu compromisso com o desenvolvimento dos jovens, com o fortalecimento do Movimento Escoteiro e com sua evolução pessoal.
Radioamadorismo e Escotismo: conhecimentos que se encontram
Durante a capacitação, Elizangela também percebeu diversas relações entre os princípios da comunicação pelo rádio e aquilo que é trabalhado com crianças e jovens no Escotismo.
Entre elas estão disciplina, responsabilidade, fraternidade, cidadania, desenvolvimento técnico, liderança, autoconfiança, respeito e serviço ao próximo.
A comunicação pelo rádio exige clareza, precisão e responsabilidade. Para a chefe, essas características também podem contribuir para a formação dos jovens.
Outro ponto que despertou seu interesse foi a possibilidade de utilização das comunicações em situações de emergência, especialmente em circunstâncias nas quais os meios convencionais possam estar indisponíveis.
É justamente aí que conhecimentos técnicos, preparação, disciplina e capacidade de trabalhar em equipe podem assumir grande importância.
E o que esse conhecimento pode trazer para o GESA?
A conclusão da capacitação não significa que o aprendizado ficará apenas no currículo pessoal da Chefe Elizangela.
Ela já consegue visualizar diferentes possibilidades de aplicação do conhecimento no Grupo de Escoteiro do Ar Santo Antônio.
Em atividades de campo e acampamentos, por exemplo, a comunicação por rádio pode ser explorada pedagogicamente em situações nas quais não haja cobertura de telefonia celular, bem como na organização de jogos, atividades de orientação e outras experiências escoteiras.
O Radio Scouting também abre possibilidades para trabalhar tecnologia, procedimentos de comunicação, disciplina e trabalho em equipe.
E existe ainda uma dimensão capaz de despertar especialmente a curiosidade dos jovens: comunicar-se com escoteiros de outros lugares.
Elizangela acredita que o radioamadorismo poderá futuramente proporcionar experiências que conectem os jovens do GESA a escoteiros de outras cidades, estados e até países, fortalecendo a percepção de pertencimento a uma fraternidade que ultrapassa fronteiras.
Uma experiência diferente para cada ramo
Outro ponto interessante é que Elizangela não imagina o rádio sendo apresentado da mesma maneira para todas as idades.
Para o Ramo Castor, ela visualiza experiências relacionadas à fantasia, descoberta e aos sons.
No Ramo Lobo, a comunicação pode ajudar a explorar socialização e regras de convivência.
Já no Ramo Escoteiro, as possibilidades avançam para autonomia, trabalho em equipe, ciência, comunicação e exploração.
Assim, uma mesma tecnologia pode ser transformada em experiências educativas adequadas ao desenvolvimento de cada faixa etária.
Aprender para depois ensinar
Depois da experiência internacional, Elizangela afirma que pretende continuar estudando radioamadorismo e demonstra interesse em avançar futuramente nos procedimentos necessários para buscar sua habilitação oficial no Brasil.
A capacitação, portanto, pode representar apenas o primeiro capítulo dessa trajetória.
Quando questionada sobre o que diria a outros chefes que recebessem uma oportunidade semelhante, sua resposta sintetiza muito da experiência que viveu:
“É uma oportunidade imperdível. Vale muito a pena. Essa capacitação nos tira da zona de conforto e desenvolve novas habilidades de resolução de problemas e resiliência.”
E acrescenta uma mensagem que dialoga diretamente com o papel do adulto dentro do Movimento Escoteiro:
“Como chefes, precisamos liderar pelo exemplo e mostrar aos jovens a importância do aprendizado contínuo ao longo da vida.”
Uma conquista individual que pode gerar novas experiências coletivas
O diploma recebido pela Chefe Elizangela encerra uma etapa, mas também abre novas possibilidades.
Foram sábados dedicados ao estudo, conteúdos técnicos até então desconhecidos, exercícios, avaliações, contato com pessoas de outros países e ainda o desafio adicional de aprender em espanhol.
Ao final, ficaram o conhecimento adquirido, a pontuação máxima alcançada em um dos questionários, o certificado e, sobretudo, a vontade de continuar aprendendo.
Para o Grupo de Escoteiro do Ar Santo Antônio, a conquista também representa a possibilidade de transformar o conhecimento adquirido por uma chefe em novas oportunidades educativas para muitas crianças e jovens.
É assim que Elizangela resume aquilo que pretende fazer daqui para frente:
“Pretendo levar esse conhecimento para os jovens do GESA através do Radio Scouting, ensinando-os a usar o rádio com disciplina em atividades de campo, compreender sua utilização em situações de emergência e se conectar com a fraternidade mundial.”
Da primeira aula em espanhol ao recebimento do diploma, a trajetória mostra que a formação de um chefe escoteiro também nunca termina. Quem aceita continuar aprendendo amplia aquilo que pode compartilhar, ensinar e construir com os jovens.
Sempre Alerta! ⚜️📻
Parabéns pelo belo exemplo de encarar novos objetivos e na área de Radioamador é muito ampla nas opções e ainda mais quando se trata de outros Idiomas. Atos como este nos encoraja a novas perspectivas. TKS pelo grande exemplo, Chefe Elizangela.
Muito obrigada pelas palavras. Fico muito feliz em saber que minha iniciativa também pode servir de incentivo para outras pessoas. Realmente, o Radioamadorismo abre um mundo de possibilidades, conhecimentos e novas amizades. E poder explorar também outros idiomas e tornar tudo ainda mais especial. Que possamos continuar sempre aprendendo, compartilhando experiências e nos desafiando a novos objetivos. TKS pelo incentivo.
Liderar pelo exemplo. Tornar-se a 1ª Chefe Escoteira do GESA a ter uma certificação internacional. Tudo isso reforça os valores e pilares do escotismo. Aprender fazendo. Valorizar o esforço e a conquista. Deus lhe pague por esse testemunho de fé e perseverança, e por todo o tempo e dedicação para ajudar na transformação e educação dos nossos jovens. Sempre Alerta!
Muito obrigado.
Essa conquista é fruto de muito esforço, dedicação e acima de tudo,da vontade de aprender cada vez mais.Para contribuir com a formação de nossos jovens. Que Deus continue nos dando força, sabedoria, perseverança para cumprir com essa missão de educar pelo exemplo de servir ao próximo. Seguimos juntos, sempre buscando fazer o nosso melhor possível.